As pessoas me perguntam por que diabos eu não atualizo o meu blog. A resposta é sempre a mesma: porque eu não tenho nada para escrever. Uns chamariam de falta de inspiração, mas como eu não sou um colunista ou escritor profissional, não evoco esse tipo de justificativa.
Pois bem, se essas palavras estão repousando nesse inconstante blog, portanto, é lógico que tenho algo para dizer. Entretanto o texto de hoje pouco tem a ver com a minha estadia em Nova Iorque ou com o meu intercâmbio em si, se não pelo fato da fagulha geradora desse texto ter vindo de um texto publicado pela empresa para a qual eu trabalho, a PwC. O texto em questão aborda a nova geração de trabalhadores, exaustivamente citada pela imprensa brasileira como “Geração Y”, porém nesse texto ela é citada como “The Millenials” (Os Mileniosos, na minha tradução livre e cômica), que seria a geração que cresceu com um laptop no colo e um celular na mão, acho que todos entendem quem são os Millenials.
O texto pode ser acessado através desse link e foi disponibilizado somente em inglês:
http://www.pwc.com/us/en/people-management/publications/attracting-net-generation-employees.jhtml
O texto em si destaca as características dessa nova geração, da qual eu faço parte (cabe aqui uma ressalva, alguns escritores separam as gerações Y e Millenials como sendo distintas, mas o texto da PwC coloca todos no mesmo saco), trazendo dados interessantes, um deles destaca que mesmo com desemprego beirando os 10% nos EUA (uma taxa altíssima para um país que viveu o pleno emprego por anos), 52% das empresas americanas vem tendo dificuldade em preencher as suas posições abertas. Não tenho idéia do nível de satisfaçãp dos recrutadores brasileiros, mas se imaginarmos que as maiores cidades do Brasil vivem um momento de pleno emprego, esses números não devem ser menores por aí.
Como jovem recém formado em Administração, com breve experiência no mercado de RH, onde trabalhei por uns bons 5 anos, além de ter vivenciado os dois lados da seleção: o de selecionador e de selecionado, eu acredito ter uma boa base para emitir a minha opinião sobre o assunto.
O texto destaca 4 estratégias para atingir esse público que está tão acostumado a ser bombardeado por informação e consequentemente a ignorar a maioria das informações que chegam aos seus olhos. Eu gostaria de pontuar duas dessas estratégias e os erros mais comuns que eu já vi por ai no mercado.
Recruiting and employee engagement - Recrutamento e engajamento do empregado em redes e causas sociais. O relatório da PwC sugere que as empresas engagem as pessoas antes mesmo delas entrarem na empresa, propondo discussões não somente relacionadas à empresa ou ao trabalho oferecido pela empresa, mas também sobre causas sociais, acontecimentos do cotidiano etc.
O perigo
Já me cadastrei em um processo de trainee onde a fase inicial envolvia “discussões no fórum”, achei a idéia interessante, a empresa contratante era uma multinacional onde até hoje me agradaria a idéia de trabalhar, mas ao chegar no fórum não havia nenhuma proposta, nem da empresa condutora do processo e muito menos da empresa que estava contratando as pessoas. Obviamente havia pessoas lá propondo temas randômicos e discutindo ao vento, algo que eu me recusei a fazer por entender que o processo começava errado, e se assim começava, a chance de acabar bem seria menor no final. Me recusei pois a empresa não havia proposto nada, o tal do fórum era claramente uma tentativa (frustrada , na minha opinião) de se fazer algo de envolvimento social, pois provavelmente alguem envolvido no processo leu um livro de aeroporto ou leu uma reportagem na Você S/A que defendia o processo seletivo para jovens da atualidade deveria envolver participação e colaboração. Talvez ele tenha até lido no relatório da PwC, mas o fato é que a colaboração não foi o problema no tal processo, mas o modo como ele foi conduzido. O que pessoas críticas e inteligentes (que são o alvo desses processos) esperam é na realidade acabar trabalhando em um lugar onde o seu trabalho tem um significado, ele quer trabalhar para uma empresa que se preocupa com a comunidade a sua volta, que se preocupa com o meio ambiente e o futuro do mundo, então, se um dia você for conduzir um processo e quiser que ele envolva participação social e engajamento, tenha certeza de que esse processo seja algo além de um fórum de mensagens randômicas, esteja pronto para mostrar que a sua empresa está disposta a abrir mão de lucros em pról da sociedade (e não falir fazendo isso!). Mostre que a sua empresa paga horas de funcionários que engajam em trabalho voluntário, que a empresa dá abertura para que ações da própria empresa sejam questionadas pelos funcionários e principalmente pelo público em geral. Isso não é fácil, e requer uma mudança no paradigma de condução dos negócios, se o paradigma é “profit driven” nem adianta tentar fingir ser uma empresa preocupada com o social, o projeto de recrutamento será falso, e projetos de recrutamento falso resultam em candidatos falsos, se não falsos, frustrados, o que acaba resultando em desilusão, demissão turnover, etc. Ou seja, não importa se o engajamento social é feito antes do sujeito ser contratado ou depois, ele deve estar alinhado com os valores da organização, e ser de verdade.
Workplace environment: A flexible, collaborative, and entertaining work enviroment – Não existem mais dúvidas que os novos profissionais gostam de um meio de trabalho flexível, colaborativo e divertido. E quem não gosta? A imprensa está repleta de artigos mostrando como as pessoas gostam de trabalhar nesses ambientes, e como são mais produtivas e etc.
O perigo
O perigo nessa questão é simples: a maioria dos gestores e empresas não estão preparados para um ambiente de trabalho colaborativo, flexível e divertido. Muito menos as estruturas de negócio, e aí entra metodologia de remuneração, por exemplo. Ainda hoje muitas empresas reconhecem e promovem seus funcionários baseados em dados como se ele chega antes das 8h todos os dias, se ele trabalha 8 horas, se ele não fica mais de 1h no almoço. E porque essas empresas adotam essas políticas? Pois são as mais fáceis! Não necessitam uma análise mais profunda na qualidade do trabalho realizado, isso envolve pesquisas, esforço, dinheiro, então promove por “tempo de firma” e deixa toda subjetividade de avaliacao do trabalho do sujeito sob responsabilidade do humor do gerente dele, resolvido, barato e errado. Em primeiro lugar para que um ambiente de trabalho tenha essas 3 características é fundamental que os processos executados pelos funcionários estejam bem documentados, e as expectativas a respeito do trabalho efetuado pelos mesmos também, assim seria possível deixar o sujeito trabalhar de bermuda (se possível, se não for uma posição de “client facing” por exemplo), na hora que quiser (se possível, novamente, posições que envolvam atendimento ao público geralmente demandam uma regularidade) e se divertindo (essa é mais fácil, o ambiente de trabalho não precisa ser transformado num parquinho com escorregadores e piscinas de bolinhas, mas uma salinha para entretenimento com videogames, livros e uma mesa de ping pong não mataria ninguém também). Afinal, tendo-se a expectativa em relação ao trabalho claramente mapeada, pode-se remunerá-lo, promovê-lo ou demití-lo não tendo como base os registros de entrada e saída do cartão ponto, mas a produtividade dele. O dia que eu tiver a minha empresa, eu vou preferir um empregado que faz bem o trabalho esperado em 5h (nao importando a hora de entrada e saida) do que o que faz bem o trabalho esperado das 8h as 18h parando 1,5 horas no almoco.
Eu gostaria de finalizar com uma frase que eu ouvi de diferentes professores durante o meu curso de Administração: “Administrar é tomar decisões, se o que está nos livros garantisse sucesso, o administrador seria inútil, bastaria seguir as regras”. O que muitos gerentes, recrutadores, empresários fazem ao ler sobre essas mudanças é aplicar “regras” sem entender qual o propósito das regras. Os jovens não querem escrever num fórum, eles querem ter um trabalho com significado, se isso vai ser atingido através do fórum, aí é outra questão, mas é preciso pensar, pesquisar, conversar e tomar decisões em cima de informações concretas e não somente aplicar novos conceitos.












Como a rosa dos ventos aponta no mapa, o sul da ilha se situa aonde fica a Estátua da Liberdade e aonde ficavam as torres gêmeas (update: está sendo construído o One World Trade Center que será uma torre que ficará ao lado do local aonde ficavam as antigas torres). Então, ao sul existe uma avenida chamada Houston Street que vai do leste à oeste (no mapa artístico acima, essa rua fica um pouco ao norte da segunda ponte, da esquerda pra direita, na parte de baixo do mapa). Após essa rua começa a se contar as ruas no sentido sul-norte 1st street, 2nd, 3rd, 4th street e segue assim até o fim do lado norte da ilha. Eu moro na 172th, ou seja, a 171 quadras ao norte da avenida Houston. Já ao largo do East River (leste), margem onde fica o prédio das Nações Unidas, começa a se contar as avenidas no sentido leste-oeste, então o endereço das Nações Unidas é 1st Avenue. Se você estiver no prédio das Nações Unidas e atravessas 4 avenidas (atenção para algumas avenidas intermediárias que não contam, p. ex: Madison Avenue) e chegarás na 5th Avenue (ou como já deve ter ouvido falar, a 5a Avenida), mas antes passarás pelo prédio que eu trabalho, que fica na Madison (avenida entre a 4a e a 5a), na esquina com a 42nd street. Eu sei que para quem não é acostumado parece super confuso, mas para mim é bem claro agora!












