É assim que funciona…

As pessoas me perguntam por que diabos eu não atualizo o meu blog. A resposta é sempre a mesma: porque eu não tenho nada para escrever. Uns chamariam de falta de inspiração, mas como eu não sou um colunista ou escritor profissional, não evoco esse tipo de justificativa.

Pois bem, se essas palavras estão repousando nesse inconstante blog, portanto, é lógico que tenho algo para dizer. Entretanto o texto de hoje pouco tem a ver com a minha estadia em Nova Iorque ou com o meu intercâmbio em si, se não pelo fato da fagulha geradora desse texto ter vindo de um texto publicado pela empresa para a qual eu trabalho, a PwC. O texto em questão aborda a nova geração de trabalhadores, exaustivamente citada pela imprensa brasileira como “Geração Y”, porém nesse texto ela é citada como “The Millenials” (Os Mileniosos, na minha tradução livre e cômica), que seria a geração que cresceu com um laptop no colo e um celular na mão, acho que todos entendem quem são os Millenials.

O texto pode ser acessado através desse link e foi disponibilizado somente em inglês:

http://www.pwc.com/us/en/people-management/publications/attracting-net-generation-employees.jhtml

O texto em si destaca as características dessa nova geração, da qual eu faço parte (cabe aqui uma ressalva, alguns escritores separam as gerações Y e Millenials como sendo distintas, mas o texto da PwC coloca todos no mesmo saco), trazendo dados interessantes, um deles destaca que mesmo com desemprego beirando os 10% nos EUA (uma taxa altíssima para um país que viveu o pleno emprego por anos), 52% das empresas americanas vem tendo dificuldade em preencher as suas posições abertas. Não tenho idéia do nível de satisfaçãp dos recrutadores brasileiros, mas se imaginarmos que as maiores cidades do Brasil vivem um momento de pleno emprego, esses números não devem ser menores por aí.

Como jovem recém formado em Administração, com breve experiência no mercado de RH, onde trabalhei por uns bons 5 anos, além de ter vivenciado os dois lados da seleção: o de selecionador e de selecionado, eu acredito ter uma boa base para emitir a minha opinião sobre o assunto.

O texto destaca 4 estratégias para atingir esse público que está tão acostumado a ser bombardeado por informação e consequentemente a ignorar a maioria das informações que chegam aos seus olhos. Eu gostaria de pontuar duas dessas estratégias e os erros mais comuns que eu já vi por ai no mercado.

Recruiting and employee engagement - Recrutamento e engajamento do empregado em redes e causas sociais. O relatório da PwC sugere que as empresas engagem as pessoas antes mesmo delas entrarem na empresa, propondo discussões não somente relacionadas à empresa ou ao trabalho oferecido pela empresa, mas também sobre causas sociais, acontecimentos do cotidiano etc.

O perigo

Já me cadastrei em um processo de trainee onde a fase inicial envolvia “discussões no fórum”, achei a idéia interessante, a empresa contratante era uma multinacional onde até hoje me agradaria a idéia de trabalhar, mas ao chegar no fórum não havia nenhuma proposta, nem da empresa condutora do processo e muito menos da empresa que estava contratando as pessoas. Obviamente havia pessoas lá propondo temas randômicos e discutindo ao vento, algo que eu me recusei a fazer por entender que o processo começava errado, e se assim começava, a chance de acabar bem seria menor no final. Me recusei pois a empresa não havia proposto nada, o tal do fórum era claramente uma tentativa (frustrada , na minha opinião) de se fazer algo de envolvimento social, pois provavelmente alguem envolvido no processo leu um livro de aeroporto ou leu uma reportagem na Você S/A que defendia o processo seletivo para jovens da atualidade deveria envolver participação e colaboração. Talvez ele tenha até lido no relatório da PwC, mas o fato é que a colaboração não foi o problema no tal processo, mas o modo como ele foi conduzido. O que pessoas críticas e inteligentes (que são o alvo desses processos) esperam é na realidade acabar trabalhando em um lugar onde o seu trabalho tem um significado, ele quer trabalhar para uma empresa que se preocupa com a comunidade a sua volta, que se preocupa com o meio ambiente e o futuro do mundo, então, se um dia você for conduzir um processo e quiser que ele envolva participação social e engajamento, tenha certeza de que esse processo seja algo além de um fórum de mensagens randômicas, esteja pronto para mostrar que a sua empresa está disposta a abrir mão de lucros em pról da sociedade (e não falir fazendo isso!). Mostre que a sua empresa paga horas de funcionários que engajam em trabalho voluntário, que a empresa dá abertura para que ações da própria empresa sejam questionadas pelos funcionários e principalmente pelo público em geral. Isso não é fácil, e requer uma mudança no paradigma de condução dos negócios, se o paradigma é “profit driven” nem adianta tentar fingir ser uma empresa preocupada com o social, o projeto de recrutamento será falso, e projetos de recrutamento falso resultam em candidatos falsos, se não falsos, frustrados, o que acaba resultando em desilusão, demissão turnover, etc. Ou seja, não importa se o engajamento social é feito antes do sujeito ser contratado ou depois, ele deve estar alinhado com os valores da organização, e ser de verdade.

Workplace environment: A flexible, collaborative, and entertaining work enviroment – Não existem mais dúvidas que os novos profissionais gostam de um meio de trabalho flexível, colaborativo e divertido. E quem não gosta? A imprensa está repleta de artigos mostrando como as pessoas gostam de trabalhar nesses ambientes, e como são mais produtivas e etc.

O perigo

O perigo nessa questão é simples: a maioria dos gestores e empresas não estão preparados para um ambiente de trabalho colaborativo, flexível e divertido. Muito menos as estruturas de negócio, e aí entra metodologia de remuneração, por exemplo. Ainda hoje muitas empresas reconhecem e promovem seus funcionários baseados em dados como se ele chega antes das 8h todos os dias, se ele trabalha 8 horas, se ele não fica mais de 1h no almoço. E porque essas empresas adotam essas políticas? Pois são as mais fáceis! Não necessitam uma análise mais profunda na qualidade do trabalho realizado, isso envolve pesquisas, esforço, dinheiro, então promove por “tempo de firma” e deixa toda subjetividade de avaliacao do trabalho do sujeito sob responsabilidade do humor do gerente dele, resolvido, barato e errado. Em primeiro lugar para que um ambiente de trabalho tenha essas 3 características é fundamental que os processos executados pelos funcionários estejam bem documentados, e as expectativas a respeito do trabalho efetuado pelos mesmos também, assim seria possível deixar o sujeito trabalhar de bermuda (se possível, se não for uma posição de “client facing” por exemplo), na hora que quiser (se possível, novamente, posições que envolvam atendimento ao público geralmente demandam uma regularidade) e se divertindo (essa é mais fácil, o ambiente de trabalho não precisa ser transformado num parquinho com escorregadores e piscinas de bolinhas, mas uma salinha para entretenimento com videogames, livros e uma mesa de ping pong não mataria ninguém também). Afinal, tendo-se a expectativa em relação ao trabalho claramente mapeada, pode-se remunerá-lo, promovê-lo ou demití-lo não tendo como base os registros de entrada e saída do cartão ponto, mas a produtividade dele. O dia que eu tiver a minha empresa, eu vou preferir um empregado que faz bem o trabalho esperado em 5h (nao importando a hora de entrada e saida) do que o que faz bem o trabalho esperado das 8h as 18h parando 1,5 horas no almoco.

Eu gostaria de finalizar com uma frase que eu ouvi  de diferentes professores durante o meu curso de Administração: “Administrar é tomar decisões, se o que está nos livros garantisse sucesso, o administrador seria inútil, bastaria seguir as regras”. O que muitos gerentes, recrutadores, empresários fazem ao ler sobre essas mudanças é aplicar “regras” sem entender qual o propósito das regras. Os jovens não querem escrever num fórum, eles querem ter um trabalho com significado, se isso vai ser atingido através do fórum, aí é outra questão, mas é preciso pensar, pesquisar, conversar e tomar decisões em cima de informações concretas e não somente aplicar novos conceitos.

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Um volta na Europa

Ola pessoal! Não sei quantos de vocês sabiam mas nesses últimos dias estive dando uma volta pelo velho mundo, não foi uma volta muuuito grande, mas foi uma voltinha bem legal.

Tudo isso foi possível pois o time aonde trabalho na PwC é um time “off shore”, ou seja, a residência do meu time (Global Information) na Union Street em Londres, em Nova Iorque estamos eu, a minha gerente e uma colega do Marrocos (também AIESECr), a nossa diretora fica locada em Boston pois mora lá.  Enfim, uma vez por ano existe o evento de reunião do time todo e como somos minoria em Nova Iorque, nós vamos para Londres. Acabei por negociar um final de ir uns 3 dias antes da semana do evento para aproveitar uns dias em Milão, pois tenho parentes e amigos por lá.

Então há duas semanas estava eu embarcando em um majestoso Boeing 747-400 da British Airways para a terra da rainha. A viagem foi muito agradável, e no avião eu já provei o tal do british breakfast que consiste de uma espécie de salsicha e pães e tal, estava bom… Abaixo a galeria com as fotos da viagem, incluindo o majestoso 747 =D

Acabei por dormir uma noite perto do aeroporto de Heathrow e então descobri por que ele tem a fama de ser o mais caro do mundo em tudo: o ônibus para o meu hotel que fica na borda do aeroporto, e de onde se podia ver a pista e os aviões custava nada mais nada menos que 4 libras (o equivalente a uns 12 reais). Comidas, bebidas, internet, tudo custa caro assim aqui e olha que eu nem penso mais em reais, mas em dólares, mas mesmo pra quem ganha em dólares dói um pouco. O Dólar está para a Libra Esterlina como o Real está para o Dólar, então um americano vindo pra Londres se sente um brasileiro nos EUA, eheheh, tá, o americano ganha melhor, mas vocês entenderam…

Enfim, logo após chegar em Londres, dormi umas 5h e tive que sair rapidinho pro London Heathrow, mais 4 pounds, e eu estava embarcando em um avião de uma empresa britânica (BMI) cedido para o braço italiano de uma empresa alemã (Lufthansa Italia), enfim, se o mundo é globalizado, não sei o que sobra pra Europa. Duas horas de vôo e eu chegava na alegre Itália, no aeroporto de Malpensa.

Após ser ignorado pela oficial de fronteira italiana que nem olhou pra mim quando entreguei o passaporte, simplesmente procurou uma folha disponível e carimbou meu passaporte, eu fui pegar minha bagagem. Então passei por 2 funcionários do aeroporto que brincavam falando em um tom relativamente alto um com o outro, ah, me senti um pouco em casa! Afinal em Nova Iorque e em Londres mais ainda o tom é de austeridade. Conectei na internet, dei bom dia para a Mamma, esquecendo que em lá em casa eram 5 da manhã! Logo após fui procurar o trem para Milão, o meu italiano não funcionou muito bem, tive que usar o inglês, mas até que os carcamanos se viram bem no inglês. Eu só não entendi bem que tinha que validar o Biglietti, depois de me dar uma leve e educada putiada, o funcionario da Trenitalia soltou um ‘vah benne!’, tipo ‘tá guri, vai vai..’ e eu segui viagem (afinal o trem estava em movimento, a outra opção era me jogar fora do trem…)

Em Milão tive acesso a ótima comida no Ristorantte Biffi, que fica na magnífica Galleria Vittorio Emanuele, a visita vale por mil motivos entre eles: a comida sensacional, a própria galeria que é um ponto turístico de Milão, pelo Duomo ali perto, pelo castelo que fica por perto, pela rua cheia de lojas caríssimas, os carros estontiantes rodando na volta do local, o shopping da Armani ali perto, enfim, se você tiver somente 4h para gastar em Milão, ali é o lugar.

Depois dei umas voltas pelo centro de Milão e outras vizinhanças mas que não me atraíram muito. Enfim, de volta à Stazione Centrale para pegar o trem para o aeroporto Malpensa. Chegando lá tu ouve aquilo que nunca quer ouvir no aeroporto: o seu vôo está atrasado, então a atendente me olha com cara de quem espera que eu diga algo, então eu pergunto “é possível me alocar em um vôo mais cedo” ao que ela responde “não”, então eu disse “acho que a única saída é esperar, não?” ao que ela concordou com a cabeça… Espera até de madrugada, fica ansioso com medo de perder o ultimo metrô de Londres, chega em Londres, sai correndo para não pegar fila na imigração, explica pro oficial da imigração por que chegou em Londres 3 dias atrás e por que está entrando no país de novo, corre pra pegar a bagagem, corre pra estação de trem, o guardinha grita “O ULTIMO TREM TÁ SAINDO!!”. Acabou que entrei no trem de graça porque o guardinha deixou. Vai pro hotel que a empresa reservou, Hilton Waldorf, sensacional. Chega lá, quando tá prestes a subir para o quarto: “Senhor, o seu cartão de crédito foi recusado, poderia me conseguir outro”. Detalhe: o cartão de crédito é o Amex da empresa que deve ter um limite astronômico, e o hotel tinha diária de DUZENTAS LIBRAS (diária de uns 600 reais), eu não tinha crédito para 3 dias na droga daquele hotel, e mesmo que tivesse eu não daria o meu cartão de crédito pra eles, a droga do cartão da empresa tinha que funcionar, dai veio outro atendente, tentou de novo, e UFA, eu poderia ficar lá, o cartão funcionou!

No fim das contas o hotel nem era tão legal assim, a piscina era pequena, e tinha que pagar para tudo, mesmo com a diária astronômica, o café da manhã custava 22 libras (imagina pagar R$65 por um café da manhã…).

Enfim, fiquei trabalhando em Londres por uns 3 dias, então fomos para um hotelzinho magnífico no interior da Inglaterra, no meio de uma paisagem sensacional. Tivemos o evento de time. No dia seguinte voltei pra Londres, fui pro meu hostel de diaria de 20 libras (mais barato que o café da manhã do Hilton) e pude passear pela cidade e comer no “Enough to feed an elephant”, comi fish and chips, adorei.  Aluguei uma bicicleta no Hyde Park, pedalei até o London Eye, daonde segui a pé até o Tower of London (perto da Tower Bridge).

Agora estou na Starbucks aproveitando os últimos momentos em Londres antes de seguir pro aeroporto super caro. Em algumas horas estarei de volta em Nova Iorque. O post foi grande, detalhado em algumas partes e corrido em outras, tal qual a minha passagem pela Europa!

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Cheiro de fritura e os desastres naturais

Imagem do satelite GOES-3 do furacao Irene

Como todos bem sabem, eu me mudei e estava super feliz na minha casa nova. Enfim, tudo estava indo bem, ate que semana passada os meus rommates comecaram a cozinhar, e um deles trouxe a namorada para morar no apartamento, o que faz com que o banheiro fique mais disputado, e a casa mais fedorenta de comida asiatica. E por isso eu vou me mudar de novo. Eu sei, e’ horrivel, principalmente pra mim, eu detesto ficar perambulando pela cidade com malas & afins, mas eu nao preciso ficar morando num lugar fedorento e que me faca esperar 40min para usar o banheiro pela manha. Entao estou na procura de novo e acho que me mudarei quando eu voltar da Europa no fim de setembro. Ate la aguento o cheiro e a espera do banheiro.

Quanto aos desastres naturais, esta sendo muito divertido! Um dia tudo treme e eu presencio o primeiro terremoto da minha vida. No fim da semana o tal do furacao Irene resolve encrespar pro lado de NYC e, nesse momento, eu leio nos sites de noticias que pela primeira vez na historia de New York City foi emitida uma ordem de evacuacao para as partes mais baixas de Manhattan. Acabei de ligar para a administracao do meu predio, e fui informado que nao estou em area de evacuacao, mas vou precisar ficar atento a evolucao do furacao no desenrolar do fim de semana. Vou carregar as maquinas fotograficas e tentar registrar tudo. A previsao eh que o furacao toque o solo do estado de Nova Iorque as 2 da tarde de domingo (15h no Brasil). Muito provavelmente eu perca o grenal por ficar sem luz!

Eu moro em uma area que provavelmente ficara alagada, visto que moro perto de um rio, vou tentar tirar bastante fotos e registrar tudo. De acordo com as previsoes, o furacao atingira NY e NJ com forca de categoria 1 (em uma escala de 1 a 5 sendo 1 a mais fraca), portanto nao deve oferecer muitos riscos de destrocos voando, mas mais de chuva e alagamentos.

Desejem-me sorte que depois eu volto para postar fotos e videos do ocorrido! Se possivel, usarei o celular para tuitar a passagem do furacao, entao, stay tunned no twitter.

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Eu amo NJ

*NJ é a sigla do estado New Jersey (Nova Jérsei)

I Love NJ

Finalmente me mudei para a minha casa nova, literalmente nova, eu diria. Como eu havia citado anteriormente eu estava para me mudar para um lugar melhor, e cá estou, dividindo um apartamento novo com meus novos roomates coreanos que trabalham na região.

Eu adorei o lugar, primeiro pois estou pagando um preço relativamente barato para o nível de qualidade de vida que eu tenho na minha nova moradia, o que inclui uma academia totalmente equipada, uma sala de leitura com 3 TVs e uma mesa de sinuca, ar condicionado central e uma van que me leva todas as manhãs para a estação de trem (trem que, a propósito, leva 15min para chegar na Penn Station no meio de Manhattan). O meu quarto é grande, tenho um closet enorme para deixar as minhas coisas, na realidade eu não preciso de um quarto tão grande, mas o lado bom é que eu posso hospedar pessoas no meu quarto, de tão grande que ele é!

Sim, eu tenho um frigobar e uma TV nova no meu quarto! Esse é o lado bom de morar nos EUA e passar no K-Mart da Penn Station todo dia ao vir pra casa: promoções inacreditáveis! E os livros atrás do notebook eu ganhei do meu ex-roomate do quarto do Washington Heighs que foi trabalhar numa ONG no Afeganistão e havia recem concluído o MBA na Colúmbia e estava se desfazendo dos livros, então eu ganhei vários livros ótimos sobre gestão financeira internacional e relações internacionais!

Enfim, agora sim eu me sinto bem ao saber que estou indo para casa, e não gasto muito por isso!  Aliás, o úinco pagamento que eu faço é o de ouvir piadinhas dos moradores de Manhattan, dizer que mora em Nova Jérsei é comparável a dizer que mora em Novo Hamburgo ou no Belém Novo: as pessoas acham muito longe e também “falta de classe”. Acontece que eu não me importo com as pessoas acharem que eu moro num lugar “não legal” e ter acesso à todos os benefícios da minha casa. Eu me importaria, entretanto de gastar 50% do meu sálario para morar em um apartamento velho em Manhattan. Foi uma decisão puramente econômica, coloquei benefícios e gastos na balança e fiz a escolha que me parecia mais razoável. Mas se eu ficar por essas bandas, e ganhar melhor, talvez eu mude para Manhattan novamente pela conveniência de morar mais perto do trabalho, mas enfim, estou feliz aonde estou.

Esse último fato da enxeção de saco que os new yorkers te fazem passar por morar fora de NY (ainda que  a 15min de NY) me impressionou. Uma das coisas mais legais que eu achei dos new yorkers é a falta de preocupação que eles tem em relação ao que os outros pensam: eles são rudes à vezes, se vestem de jeito muito engraçado, se comportam como se tudo fosse aceitável, e eu adoro isso. A única coisa que faz eles se preocuparem é o local de morada, pelo visto, hehehe.

Mas no mais tenho aproveitado as viagens diárias de trem no NJ Transit, que é o nome da companhia estatal que mantém os trens e ônibus que ligam essa parte de NJ a New York. Tenho aproveitado a academia e as caminhadas ao redor do condomínio aonde fica o meu apartamento, existe um parque muito bonito aqui do lado onde é possível alugar pequenos barcos a remo e dar uma volta no rio, acho que farei isso antes do inverno chegar.

Bom, finalmente postei sobre a minha nova casa! Espero postar mais notícias em um período menor de tempo!

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Hora de mudança e de voo solo!

Depois de um longo tempo sem postar, hoje me deu vontade de escrever por aqui de novo, me inspirei com o relato da Bárbara, colega de Porto Alegre que recém chegou na Turquia para o seu intercâmbio!

Sobre a mudança primeiro! Estou morando no prédio super velho pré II Guerra, quem acompanha o meu blog já sabe disso. Acontece que os meus roomates, apesar de serem pessoas legais, não tem hábitos de limpeza muito aplicados, se posso dizer assim. Além disso, tem feito um calor infernal aqui em NY, estamos há 2 semanas com temperaturas acima dos 30°C inclusive à noite. Sexta passada chegamos nos 40°C à sombra, vejam bem, não era 28°C com “sensação térmica” de 39°C, foi 40°C de verdade. Enfim, se fosse em Porto Alegre a Zero Hora teria feito um especial sobre a temperatura e isso teria sido o assunto por semanas, mas não aconteceu nada disso. Bom, voltando ao “fio da meada”, eu não tenho ar-condicionado, e dormir tem sido um desafio interessante!

Tudo isso culminou que eu tinha me programado para me mudar em setembro, mas resolvi antecipar a minha mudança para agosto, e depois de muita procura achei um lugar barato e com ótima estrutura numa cidade distante de NY chamada Secaucus. Vocês devem estar se perguntando por que diabos vou morar em uma cidade distante. “Será que foi demitido?“, “Não trabalha mais?“, “Vai ficar 2h viajando todo dia para trabalhar?“. A resposta é não para todas, explico: essa cidade é conectada ao centro de Nova Iorque por um trem que leva 10 minutos para chegar ao destino (na realidade o trem vem de outras cidades, e a minha cidade é a última parada antes de NY), portanto vou continuar gastando uns 30 minutos para chegar ao trabalho.

Sobre o local: Secaucus é o clássico subúrbio de classe média americano: casinhas bonitas, ruas bonitas, shopping, walmart, lugar calmo e bonito, mas a 10min de NY, é o lugar dos meus sonhos, e ainda é mais barato que viver na ilha.

E o voo solo?

Bom, nos últimos 2 meses eu tenho sido treinado para executar as operações mensais de carregamento e verificação nos bancos de dados com informações de clientes do mundo todo da PwC  pois fui contratado para substituir um colega que está se mudando para a China para abrir o seu próprio negócio (ele é de Taiwan), e semana passada foi a última semana de trabalho dele, ou seja, amanhã estarei por minha conta executando as rotinas mensais relacionadas aos bancos de dados! Estou feliz pela oportunidade e pela responsabilidade,  e estou confiante de que tudo dará certo.

Assim que eu me mudar para Secaucus (a mudança está prevista para o próximo domingo, 31 de julho) eu posto fotos da minha nova casa e nova cidade!

Abraços!

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Ah, a gastronomia…

Eu tenho postado fotos das minhas aventuras gastronômicas na grande maçã e tenho recebido avisos preocupados dos meus amigos e parentes relacionados ao meu peso. Quanto à isso eu gostaria de dizer que estou procurando fazer exercícios para balancear a saúde. Mas é necessário dizer que vir à NYC e não experimentar as milhões de delícias que a cidade tem a oferecer é comparável à ir ao Rio de Janeiro e não dar um mergulho no mar.

A gastronomia faz parte do conjunto de Nova Iorque, junto com a arquitetura estonteante dos arranha-céus, com os táxis amarelos, os belos parques e passeios. Tirem a gastronomia dessa cidade, e teremos outra cidade bonita, mas não Nova Iorque.

Bom, vou escrever esse post de modo diferente, falando dos meus locais preferidos, numa linha de dar a dica pra se alguem vier um dia aqui!

Buffets para o dia-a-dia

Estão por toda a cidade, são buffets à kg no Brasil, com a diferença que aqui são “à libras”! Geralmente existe a opção de comidas quentes e frias, junta o que tu gosta, pesa e vai embora. Só que americano gosta muito de comer no trabalho, então não acha esquisito o fato de muitas vezes não existirem mesas e cadeiras. Também não há pratos nesses buffets, somente aqueles conteiners de plástico onde tu vai jogar a comida dentro, pegar um saquinho com um guardanapo, um garfo e uma faca de plástico e sair andando com a tua sacolinha com a tua comida, feito um pedreiro. Mas esses lugares tem uma comida saudável e gostosa por um preço acessível. Geralmente paga-se U$10 com refri e impostos. Para encontrar esses buffets, basta entrar em qualquer portinha onde lê-se DELI. DELI = buffet, na maioria das vezes. Se não tem buffet de comida, tem buffet de sanduíches.

Shakeshack burger

Esse merece uma atenção especial. Na terra do Mc Donalds, Wendy’s e Burger King, existe essa pequena rede de fastfood em NYC que serve um hamburger com carne orgânica 100% Angus (tipo do Pampa Burger) que é o melhor (e menor) hamburger que eu já comi na minha vida. Acompanhado das curly fries fica melhor ainda:

Shakeshack burger.

 

No mais, das redes tradicionais de fastfood, o Wendy’s é definitivamente o meu preferido, a carne é deliciosa, bem como as fritas são feitas com umas casquinhas que a deixam crocante. Fora que o Wendy’s tem a verdadeira atmosfera de lancheria americana, pelo menos para mim. O Mc Donalds é tão padrão que eu entro em um aqui e não me sinto diferente de estar entrando no Mc da Rua da Praia, mas o Wendy’s não: chão acarpetado, fotos do idealizador da rede na parede, etc.

Desserts

 Ah, as sobremesas, aqui é que eu bailo na curva! Quando eu me sinto triste, estressado ou tenho um sentimento que não sei o que é (e não são gases), eu vou no Dunkin Donnuts mais perto e peço por uns 2 Chocolate Glazed Donuts que são as rosquinhas com cobertura de chocolate. Mas se a idéia é algo mais refinado, há as centenas de lojas de cup cake pela cidade, mas eu não sou um grande fã de cup cake. Existem confeitarias sensacionais como a Magnolia Bakery (lojas em NY, Los Angeles e Dubai) que vendem o Chocolate Swirl cheesecake, que eu quase chorei de felicidade quando comi (é sério).

Magnolia's chocolate swirl cheesecake

Fast food mexicano

Taco Bell? Não, quase não tem Taco Bell em NYC, aliás, Taco Bell, Pizza Hutt, Arby’s, Burger King, Jack in the Box, Denni’s, Ihop, Walmart e outras marcas que eu cansei de ver pelos EUA são avis raras ou não existem por essas bandas! O meu fast food mexicano preferido aqui é o Chipotle Mexican Grill, por uns (sempre eles) U$10 tu pede um burrito com refri. O refri é importante, visto que o burrito vem com um tempero bem apimentado para o paladar brasileiro. O que eu mais gosto no burrito é o feijão preto com gosto de feijão brasileiro, misturado com arroz, frango e o tal do molho de tomate apimentado. Encontra-se um Chipotle Mexican Grill em toda esquina!

Comida saudável

Pret a manger, definitivamente comida saudável não precisa ser sem gosto e/ou ruim! (sim, tem comida sem gosto ruim, o palmito, por exemplo) O Pret a manger é outra dessas redes de fast food em NYC que vende vários sanduices e wraps diferentes, com a diferença que a Pret a manger vende somente comidas orgânicas super saudáveis, mas mesmo assim muito saborosos e que matam a fome. Vale a pena ir ali de quando em vez para não se sentir tão mal por estar comendo muita coisa fora da dieta ideal.

O lixo

Bom, apesar de eu adorar junk food , eu não sou do partido que basta ter gordura para ser bom. Na realidade, eu não gosto de perceber a gordura no alimento. Eis que resolvi pedir um cesto de frango frito no Popey’s: que decepção! O frango vem pingando gordura, mesmo sendo empanado, ele vem ensopado em gordura, e pra completar tem partes cruas (o americano gosta de carne tostada por fora e não tão tostada por dentro). Bom, foi repugnante, não entendo como alguem consegue gostar dessa porcaria. O que se salva no Popey’s: as wicked chicken, que são tirinhas de frango que vêm sequinhas e como são tirinhas são bem preparadas e não vem cruas.

Por enquanto isso é o que eu tenho a compartilhar! Já arranjei uma atividade esportiva: tenho corrido e a partir do próximo final de semana jogarei futebol todos os finais de semana, espero assim, não virar uma bola!

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Entendendo as ruas e avenidas

Agora começa o famoso período em que eu comecei a me encaixar na rotina nova iorquina. Talvez por isso eu tenha demorado tanto para colocar um novo post. Afinal, os prédios estonteantes não me surpreendem mais (tanto assim!), as ruas perfeitas, nem a comida hora muito cara, hora muito barata, hora deliciosa, hora nem tanto assim…

Finalmente me acostumei com o sistema de ruas, e hoje acho a coisa mais sensacional da face da terra, principalmente depois que chegou o iPhone que a empresa me deu que vem com uma providencial bússola que ajuda quando ainda me sinto um pouco perdido, pois, para quem não sabe funciona assim: tem a ilha de Manhattan, vide mapa abaixo.

Como a rosa dos ventos aponta no mapa, o sul da ilha se situa aonde fica a Estátua da Liberdade e aonde ficavam as torres gêmeas (update: está sendo construído o One World Trade Center que será uma torre que ficará ao lado do local aonde ficavam as antigas torres). Então, ao sul existe uma avenida chamada Houston Street que vai  do leste à oeste (no mapa artístico acima, essa rua fica um pouco ao norte da segunda ponte, da esquerda pra direita, na parte de baixo do mapa). Após essa rua começa a se contar as ruas no sentido sul-norte 1st street, 2nd, 3rd, 4th street e segue assim até o fim do lado norte da ilha. Eu moro na 172th, ou seja, a 171 quadras ao norte da avenida Houston. Já ao largo do East River (leste), margem onde fica o prédio das Nações Unidas, começa a se contar as avenidas no sentido leste-oeste, então o endereço das Nações Unidas é 1st Avenue. Se você estiver no prédio das Nações Unidas e atravessas 4 avenidas (atenção para algumas avenidas intermediárias que não contam, p. ex: Madison Avenue) e chegarás na 5th Avenue (ou como já deve ter ouvido falar, a 5a Avenida), mas antes passarás pelo prédio que eu trabalho, que fica na Madison (avenida entre a 4a e a 5a), na esquina com a 42nd street. Eu sei que para quem não é acostumado parece super confuso, mas para mim é bem claro agora!

Algumas ruas e avenidas além de ter um número tem uma designação “artística”, por exemplo, a 44th street tem um trecho nomeado Little Brazil, há vários restaurantes brasileiros ali. A 6th Avenue é a “Avenue of Americas”, a 7th é a “Fashion Avenue” .

Enfim, nem todas as ruas de Manhattan são números, algumas avenidas tem nomes, e muitas ruas tem nomes, principalmente ao sul da 1st street, existe uma rua célebre, a Rua do Muro, ou como chamam por aqui (e como vocês já devem ter ouvid0) a Wall Street… Ah aqui também tem Rua da Praia (Beach Street)!

Então é muito simples, se o cara te diz que mora na 172th street (eu) tu sabe que o cara mora longe pácas. Além disso, as linhas de metrô na maioria das vezes percorrem trechos correspondentes à avenidas, por exemplo, o que eu pego anda sob a oitava, então eu sei que se eu quiser ir, por exemplo para um endereço na 5a avenida com a 42a segunda rua, por mais que o meu metrô tenha uma estação na 42a rua, ou eu vou ter que caminhar bastante, ou fazer alguma conexão de metrô, ou ainda ficar abanando o braço freneticamente para que tu dê a sorte de pegar um taxi.

Bom, espero que vocês tenham matado a curiosidade a respeito do funcionamento das ruas, eu sei que parece meio óbvio, mas no início me causava um pouco de confusão, mas em pouco tempo tu te acostuma, ao ponto de eu pegar um taxi hoje e olhando as ruas eu já posso corrigir o taxista se ele quiser me enganar. Ah, e eu achava que o taxi aqui seria caríssimo, quando eu descobri que para ir do centro à minha casa (que dá meia hora de metrô expresso, para ter uma idéia) custa U$20, eu meio que perdi o medo de pegar taxi e já entrei nos carrinhos amarelos algumas vezes (nunca deixando mais de U$10, tips inclusas). Falando em pagamento, dá pra usar cartão de crédito/débito para pagar em todos os taxis, isso ajuda muito. Mas acho que isso rende assunto para outro post!

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The High Line

Bom, eu não teria pensado em fazer um post sobre a High Line se não fosse a deixada do Guto no Facebook, mas a idéia é ótima, afinal, no oceano de atrações de NYC, a High Line se destaca impressionantemente.

A começar pela sua história: a High Line é um antigo elevado por onde passava uma linha de trem que foi transformado em um “parque elevado”, ou seja, foi realizado um trabalho paisagístico, se plantaram plantas e árvores no meio dos trilhos e foi construída uma passagem para as pessoas andarem por lá.

A caminhada se estende por uns 2km e é muito agradável. Em um certo ponto da passagem, tem um pedaço com água corrente no chão onde pode-se molhar os pés, é bem legal (nas fotos abaixo é onde as crianças correm). A passagem também passa em baixo do Standard Hotel, que é muito legal, meio bizarro (no elevador fica passando um vídeo com o que eu interpretei como uma representaçãod o inferno, do limbo e do céu, enfim, bem bizarro) mas que vale a pena a visita, e no 18° andar existe um bar bem requintado com jazz band e uma excelente vista. Tudo isso fica no Meatpacking District, que antigamente era o local onde ficavam as indústrias de ensalsichamento, se assim pode-se dizer, eheheh. Mas esses bairros, assim como Soho e Tribeca, ficaram super “In”, super na moda, é tri fashion (e caro!) morar nesses bairros hoje. É como se daqui a 20 anos a moda MESMO fosse morar na Sertório…

Segue as fotos:

Agora, discutindo-se mobilidade urbana:

A história é fascinante, afinal, sim é muito legal transformar um elevado em um parque, afinal elevados são feios, barulhentos para a vizinhança e tudo mais. Acontece que esse elevado foi construído na década de 1930 tendo em vista o avanço da cidade. Na época a obra custou uns 15 milhões de dólares (o que hoje seria uns 2 bilhões de dólares). Para termos uma base de comparação, a Terceira Perimetral, a nossa maior obra de mobilidade urbana dos últimos tempos custou uns 100 milhões de dólares (5% do custo da High Line). Então, antes de sair por aí espalhando “Olhá só! Os americanos estão transformando elevados em parques, vamos fazer o mesmo!”, lembrem que NY tem mais de 400 estações de metrô e mais de 1.000 km de trilhos espalhados pela e sob a cidade. Ou seja, eles antes resolveram o problema de transporte e depois pensaram em o que fazer com os velhos e feios viadutos. É sempre bom lembrar que transporte público aqui não é um problema: em uma cidade onde no inverno pode-se ter temperatura abaixo dos -15°C é totalmente confortável ir do trabalho para casa mesmo com uma tempestade de neve, pois há várias passagens subterrâneas climatizadas como essa aqui:

Ou seja, igualzinho à caminhar da Salgado Filho para pegar o T-9 em um dia chuvoso e frio, certo? Ironias à parte: o dia que a Prefeitura de Porto Alegre entender que colocar meia dúzia de corredores de ônibus e um quarto de dúzia de ônibus com ar-condicionado que só funcionam no outono e primavera não é o suficiente para fazer as pessoas trocarem o carro por um transporte caro (quando saí de Porto Alegre a passagem era R$2,70), talvez teremos uma cidade melhor. Mas por enquanto a prefeitura ignora que temos um clima terrível e que as pessoas que tem dinheiro não estão dispostas à chegar com os pés molhados no trabalho numa manhã de inverno porque a prefeitura acha que não tem problema fazer translados absurdos como descer na esquina da Borges com a Salgado Filho e caminhar 1km até a Santa Casa para pegar outros ônibus, ou ficar esperando ônibus naqueles galinheiros que a prefeitura se atreve a chamar de “abrigos”. Enfim, dentre as zilhares de coisas que eu sei que vou sentir saudades, o transporte público ganha um destaque muito especial.

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Home sweet home

Fala galera! Tenho algumas novidades!

Por razões de burocracia não vou poder trabalhar essa semana, o que é bom por uma lado: vou poder perambular mais por NY, e eu adoro fazer isso. O lado ruim é que eu não recebo por semana não trabalhada, óbvio né? hehehe. Mas na segunda que vem eu me “engomo” todo para voltar ao suntuoso prédio da PwC.

Enquanto isso vou escrevendo para mostrar como é a minha primeira moradia em New York.  Como já contei antes, estou temporariamente na casa de um casal de coreanos que subloca quartos aqui. Eles tem um apartamento de 2 quartos num prédio antigo, esse tipo de prédio é chamado aqui de “pre-war”, ou seja, como o próprio adjetivo mostra, ele foi construído antes da Segunda Guerra Mundial (que só pra lembrar acabou lá pelos idos de 1945) , ou seja, o prédio é BEM ANTIGO. Mas tem algo muito interessante: as aberturas são todas modernas, o que quer dizer que não “vaza” vento pra dentro do quarto, agora, por exemplo está 10°C lá fora, e com a calefação desligada estou de manga curta no quarto numa boa. Ao contrário do meu apartamento “Encol made” em Porto Alegre que é “post Fall of Berlin Wall” e vaza vento por tudo que é fresta das benditas janelas. Mas eu só posso louvar as janelas do prédio, pois o resto é meio aterrorizante, a começar pelo hall de entrada com leões bregas e uma pintura pra lá de espalhafatosa (fotos no fim do post).

Já o meu apartamento em si é peculiar: a sala e a cozinha são super velhos, mas o chão do meu quarto parece que foi renovado e é liso. Já o chão do resto do apartamento faz muito barulho quando caminha-se por ele (ele é todo em madeira, madeira velha).  Mas como o apartamento é antigo, “pre-war” obviamente que os comodos são grandes e o meu quarto é do tamanho de muito studio (Jk, ou Kitinetes) daqui.

Sim, ali é uma pseudo bandeira rio-grandense. Como podem ver, o quarto é enorme…

Bom, pretendo que assim que estiver estabelecido (leia-se financeiramente estabelecido) alugar um studio pra mim, ou seja, um apartamento inteiro pra mim e não um quarto dividido com outras pessoas, assim fica mais fácil de receber os amigos que tem agendado visitar por aqui. Fica a dica! =)

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Mendigos, custo de vida e o meu dia-a-dia em Nova Iorque

Ontem eu estava numa das minhas idas e vindas da linha A do metro de NY quando um mendigo com roupas muito rasgadas e um mega dread e com uma aparencia muito suja veio falando do fundo do vagão: “God bless yah, God bless yah” (Deus os abencoe); obviamente pedindo dinheiro. Quando ele se aproximou eu instintivamente tranquei a respiração, afinal mendigos fedem, mas por um instante respirei quando ele estava perto e, pasmem, ele não fedia! Achei isso interessante, mas a vida seguiu. Hoje eu estava voltando pra casa com vontade de ir no banheiro, vi que na estação da 168ª rua (que é a minha estação, pois moro na 171ª) tinha um banheiro público (algo raro por aqui, no Mc Donalds, por exemplo a porta é trancada tu tem que pedir pro funcionario te abrir a porta). Quando entrei me deparei com um mendigo lavando os pés com muito sabonete, na pia do banheiro, nisso ele me pediu gentilmente que eu fechasse a porta (afinal ele precisa de privacidade!) e me disse que eu podia usar a “casinha” pois ele não estava usando no momento. Usei a casinha rapidamente (era só líquido), dei boa noite pra ele e me despedi. Após o fato, fiquei pensando que bem que os mendigos do Brasil poderiam adquirir esse hábito. Óbvio que devem existir mendigos fedorentos aqui, mas ainda não topei com eles.

No mais descobri que tem internet grátis na Times Square (a esquina com as propagandas coloridas). Dei uma passeada rápida pelo lugar depois do trabalho (o trabalho fica a 2 quadras dali, na 42ª com a Madison). Dei uma passada rápida na loja da M&Ms que é MUITO LEGAL. Fui tambem num restaurante da rede de fastfood italiano Sbarro, tem uma comida bem boa e relativamente barata. Recomendo. Falando em comida, dificilmente tenho gastado mais de U$10 (R$16) para comprar uma refeição com refrigerante, quando eu trabalhava na Carlos Gomes em 2007 eu gastava isso, hoje deve estar mais caro… No metrô eu gasto U$104 (R$170) para andar ilimitado por 1 mês, em Porto Alegre eu gastava uns R$200 em ônibus por mês… A única coisa que se mete a faca aqui é na moradia, pois eu não quero morar fora da ilha de Manhattan, e aí eu pago U$800 mensais (uns R$1300) para alugar um quarto num apartamento de um prédio velho e decrepto na vizinhança dominicana…

Bem, voltando ao meu dia: no fim do dia fui dar uma volta na rua dos dominicanos e vi uma barbearia aberta, resolvi cortar o cabelo, óbvio que os barbeiros eram dominicanos, e lá dentro tocava remix de músicas eletrônicas conhecidas cantadas em espanhol dominicano, eu tive que me comunicar com o barbeiro em portunhol porque ele não falava inglês, mas até que o cabelo ficou bom, depois posto fotos.

Amanhã é dia de lavanderia e de arrumar as coisas por aqui, vou ver se compro uma camisa social para o trabalho nas lojas de descontos, as camisas de marca tipo Nautica e Izod saem por 16 dólares (uns R$25) definitivamente, um bom negócio!

Last update: Eu tava olhando a foto que decora o meu blog ali em cima e me dei conta de que eu passei por ali algumas vezes, na sexta avenida, aliás, eu usei aquela entradinha de metrô ali! =)

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